O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira (19) que o país pretende manter o controle total sobre a Faixa de Gaza como parte da nova ofensiva militar contra o grupo Hamas. Ao mesmo tempo, anunciou a liberação de uma nova remessa de ajuda humanitária ao território palestino, com apoio logístico dos Estados Unidos e mediação direta do Exército israelense.
Segundo Netanyahu, o controle da região é essencial para alcançar os objetivos de guerra entre eles, a eliminação do Hamas e o resgate de reféns israelenses. Para o premiê, evitar uma crise de fome também se tornou estratégico. “Não podemos permitir uma situação de fome. Isso é parte da derrota do Hamas, junto com a pressão militar e a entrada massiva para tomar o controle de toda Gaza”, declarou. O novo plano de distribuição humanitária prevê pontos fixos, protegidos por tropas israelenses, para que empresas norte-americanas possam entregar alimentos e remédios diretamente à população. Netanyahu não especificou quando a ajuda começará a ser distribuída, mas disse que os primeiros locais de entrega devem ser montados nos próximos dias.
Ofensiva terrestre se intensifica
A declaração de Netanyahu ocorre um dia após o Exército israelense lançar uma nova ofensiva terrestre nas regiões sul e norte de Gaza. A operação começou após ataques aéreos contra alvos do Hamas e já atingiu, segundo o Exército de Israel, mais de 670 posições do grupo ao longo da última semana. De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, os bombardeios já deixaram mais de 500 mortos desde 11 de maio, incluindo mulheres e crianças. Somente no domingo (18), ao menos 130 pessoas teriam morrido.
O chefe do Exército israelense, general Eyal Zamir, afirmou que as forças continuarão em Gaza até “quebrar a capacidade de combate do inimigo”. Segundo ele, o objetivo é impedir que se repita um ataque semelhante ao de 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra atual.
Fontes militares israelenses informaram à agência Reuters que, com a nova estratégia, tropas permanecerão nos territórios ocupados em vez de se retirarem ao fim das operações. A ação prevê ocupação gradual e permanente uma mudança significativa na abordagem adotada até então. Israel já controla temporariamente cerca de metade da Faixa de Gaza.
Críticas internacionais e apelos por paz
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, alertou nesta segunda-feira que cerca de dois milhões de pessoas enfrentam fome em Gaza e cobrou a entrada imediata da ajuda humanitária. Caminhões com suprimentos estão parados na fronteira, mas ainda não foram autorizados a entrar.
O papa Leão XIV também mencionou o conflito durante sua missa inaugural, no mesmo dia do início da nova ofensiva. “Em Gaza, crianças, famílias e idosos sobreviventes estão passando fome”, disse o pontífice, pedindo orações e ações em prol da paz.
Desde o início da guerra, em outubro de 2023, a campanha militar israelense devastou a Faixa de Gaza. Mais de 53 mil palestinos foram mortos, segundo autoridades locais a maioria, mulheres e crianças. Relatórios da ONU apontam que civis representam a maior parte das vítimas, e alertam para a grave crise humanitária provocada pelos deslocamentos forçados em massa e pela destruição de infraestrutura básica no território.
Talissia Maressa – Portal SGC

